O guia do Guia do Mochileiro das Galáxias

Foto: Letícia Misna/Vírgulas Cardeais

Certa vez ouvi alguém dizer que não conseguiu ler O Guia do Mochileiro das Galáxias porque era “um livro infantil”. Primeiro eu disse “O QUE?!”, e depois pensei “devia existir um guia para ler o guia do mochileiro das galáxias…”.

Pois bem. Pegue sua toalha.

O DNA

Douglas Noel Adams (ou DNA, como ele gostava de dizer) nasceu em 11 de março de 1952, em Cambridge, na Inglaterra.  Após formar-se em Literatura Inglesa, na década de 1970, pela Universidade de Cambridge, saiu em uma viagem pela Europa. Consigo carregava um livro chamado Hitch-hiker’s Guide to Europe (ou Guia do Mochileiro da Europa, em tradução livre), de Ken Welsh.

Em sua parada na Áustria, observando bêbado as estrelas, Adams imaginou como seria fazer uma viagem para o espaço. Após essa aventura nasceu a ideia para The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, ou o Guia do Mochileiro das Galáxias.

O projeto veio incialmente como uma série para a BBC Radio (o que hoje em dia seria como um podcast), em 1978. Mas Douglas Adams foi abordado por editoras que queriam que a história virasse livro. E virou. Na verdade, viraram: a famosa “trilogia de cinco” – a narrativa devia ser contada em três volumes, mas Adams acabou se estendendo e escrevendo mais dois.

  • Guia do Mochileiro das Galáxias
  • O Restaurante no Fim do Universo
  • A Vida, o Universo e Tudo Mais
  • Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!
  • Praticamente Inofensiva

Em 2005, o primeiro livro ganhou uma adaptação para filme, mas nós fingimos que não existe. Inclusive finja que você não leu isso.

Arthur Dent, NÃO ENTRE EM PÂNICO e tudo mais

Mas sobre o que é essa história tão aclamada? E por que ela é tão aclamada?

Um dia o inglês Arthur Dent descobre três coisas: 1) sua casa será demolida; 2) seu amigo de longa data é um alienígena; 3) a Terra será destruída – e foi mesmo. Sem lar e sem nada, o que resta a Arthur é acompanhar Ford Prefect (nascido no planeta Betelgeuse) pela galáxia e descobrir a imensidão além do sistema solar. E toda a loucura que vem junto.

Ford Prefect é um Mochileiro das Galáxias. Ford Prefect também é um pesquisador de campo do livro O Guia dos Mochileiros das Galáxias, que é um guia para Mochileiros das Galáxias. Eis o que diz O Guia do Mochileiro das Galáxias sobre… o Guia do Mochileiro das Galáxias:





“(…) um aparelho que parecia uma calculadora eletrônica das grandes. Possuía cerca de 100 pequenos botões planos e uma tela quadrada de 10 centímetros, na qual podia ser exibida instantaneamente qualquer uma dentre um milhão de “páginas”. A capa trazia a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.”

Ou seja: é basicamente um celular.

O Guia contém informações sobre muitas coisas do universo – muitas mesmo. Por isso é constantemente atualizado, e há um prédio inteiro só para cuidar dele.

Ou seja: é basicamente um celular com acesso ao Google.

Pensador Profundo

A história do Guia, a princípio, pode parecer completamente maluca, insana, sem pé nem cabeça e boba. Mas não é (talvez um pouco). Conforme você avança a leitura, começa a entender o ritmo e perceber que tudo faz sentido. Você só precisa abrir sua mente e NÃO ENTRAR EM PÂNICO.

Além do mais, Douglas ganha o leitor pela escrita. Sua obra contém um humor muito perspicaz e inteligente. Constantemente podemos encontrar crítica ao sistema político, ao cristianismo, às desigualdades sociais, e outras questões humanas. Às vezes na nossa cara, às vezes nas entrelinhas.

“Apenas seis pessoas na Galáxia sabiam que a função do presidente não era exercer poder, e sim desviar a atenção do poder”.

“‒ Diacho de planeta apático ‒ disse a voz. ‒ Não dá nem pra ter pena.”

E é claro, uma ode à ciência. DNA era apaixonado por ela, e usou sua paixão da melhor forma. Na obra, você vai encontrar os mais diversos termos, assuntos e conceitos científicos. Alguns existem e fazem sentido, outros não. Você não precisa saber de astrofísica para entender, mas talvez seja interessante saber sobre a teoria da relatividade (brincadeira).

Dia da Toalha

A toalha é um item essencial para um Mochileiro das Galáxias. Você pode usá-la de diversas maneiras: como cobertor, cama, bandeira, vela de barco, agasalho e, claro, como toalha. Há uma página inteira sobre ela no Guia.

Douglas Adams morreu em 11 de maio de 2001. Duas semanas depois, alguém resolveu criar então o Dia da Toalha, para homenageá-lo. É, assim, do nada, sem uma relação exatamente coerente entre o dia 25 de maio e o Guia. Como o autor faria.

Desde então, anualmente, fãs do mundo inteiro carregam uma toalha para comemorar a data.

Douglas Adams deixou um legado valiosíssimo na literatura. Sua escrita inigualável inspirou e continua inspirando milhares de Mochileiros pelo universo. Espero que você se torne um e ria tanto quanto eu ri até a última página.

Feliz dia da Toalha.

Até mais, e obrigado pelos peixes!