O pouco falado protagonismo feminino de Mina em Drácula

Folha de rosto de edição brasileira de “Drácula de Bram Stoker”

Apesar de ser um clássico do terror, o protagonismo feminino emDrácula de Bram Stoker, livro publicado em 1897, parece não ter sido perpetuado em suas várias adaptações.

A obra conta a história de Jonathan Harker, que faz uma viagem de negócios à Transilvânia, onde deverá negociar propriedades com o excêntrico conde Drácula. Durante a longa viagem, os moradores locais ficam amedrontados e têm as mais estranhas reações, sempre tentando impedir que Jonathan chegue ao conde. Harker é cético e estranha bastante o fanatismo religioso na região.

Após alguns contratempos, ele chega ao castelo onde é recebido pelo próprio Conde e levado para o quarto de visitas. Com o tempo, porém, aquela atmosfera torna-se cada vez mais soturna: Jonathan passa ser trancado em seu quarto. Percebe, assim, que é um prisioneiro.

O prisioneiro

Assim, o tempo passa além do que estava previsto para a estadia de Jonathan na Transilvânia, mas o negociante continua preso. Sabendo que seu prisioneiro estava de casamento marcado, Drácula o obriga a escrever uma carta para Mina, sua noiva. Ela não se dá por satisfeita, percebendo que não se tratava da forma que seu noivo falava com ela normalmente.

Após algum tempo, Mina recebe a ligação de uma freira do hospital onde Jonathan está sendo tratado após sua fuga do castelo. Os dois se casam e vão em busca de Drácula.

A caça

Juntam-se ao casal, Dr. Seward, Lucy e seus pretendentes, além de Van Helsing, chamado para tratar de Lucy. Mina é uma força motriz para a empreitada. O grupo, então, embarca em uma caça alucinante ao Drácula, que se vê obrigado a fugir. No início da caça Drácula vampiriza Mina, fazendo com que ela tenha lampejos de sua localização ao ser hipnotizada, tornando-se indispensável para seu encontro.

O protagonismo feminino

Sem dúvida, Mina é uma das personagens mais interessantes do livro. Independente, inteligente e forte, ela está sempre à frente dos homens, lhes dando ideias de como agir para encontrar Drácula.

Suas opiniões são ouvidas e respeitadas, é considerada uma amiga, irmã e companheira na perigosa caça, o que é de extrema importância ser mencionado, considerando que o livro foi publicado no fim do século 19, quando se esperava apenas que mulheres se portassem como bibelôs e cuidassem de casa. Mina se impõe com imensa força, uma inspiração atemporal mas, muitas vezes deturpada, inclusive em um dos filmes mais famosos.

Mulheres nos filmes

É bem verdade que Drácula tem inúmeras adaptações para o cinema, mas a que vou me referir aqui é a de 1992 dirigida por Francis Ford Copolla. O filme é um colosso, os figurinos e atuações excelentes. Porém, em comparação com o livro, tirou por completo o protagonismo feminino de Drácula, colocando Mina como uma garota frágil. Nem vou entrar no mérito do personagem de Lucy, que teve uma adaptação no mínimo ofensiva.

Continuo apreciando as duas obras de formas diferentes, mas não posso falar que foi uma adaptação fiel. Nem de longe.