“A vida secreta das abelhas” e sua crítica ao racismo

E-book de A vida secreta das abelhas (Foto: Gabriela Almeida/Vírgulas Cardeais)

A vida secreta das abelhas foi publicado pela primeira vez em 2001, recebendo uma adaptação para o cinema em 2008. A trama é sobre Lily Owens, uma adolescente de 14 anos que perdeu a mãe quando criança, o que lhe assombrava profundamente. Morava com seu pai, um homem grosseiro e abusivo que, lutando contra seus próprios fantasmas, descontava suas frustrações em Lily.


Após um castigo, ela foge na esperança de encontrar a família de sua mãe, levando consigo poucos pertences e sua fiel escudeira: Rosaleen, babá de Lily desde o falecimento de sua mãe. Esta, por sua vez, fugia da polícia por ter reagido às provocações de um homem branco.


Teve início, então, uma longa viagem envolvendo caronas e caminhadas. Lily e Rosaleen chegam em Tiburon, uma cidade na Carolina do Sul, onde conhecem August, uma apicultora, e suas irmãs. Em seu tempo lá, Lily ajuda August a cuidar das abelhas e encontra uma paixão.

Racismo, direitos civis e segregação racial

Um dos pilares do livro, talvez o maior, é a segregação racial e como isso impacta na vida de todos, um tema que já abordamos em outras resenhas por aqui, como O olho mais azul, O sol é para todos e Negrinha.

Lily era comumente julgada por manter-se em companhia de pessoas pretas, e acreditavam que ela era abusada por estes quando, na verdade, era agredida por seu pai, um homem branco. Na verdade, foi na companhia de pessoas pretas que pôde conhecer o que era o afeto que muito lhe faltava.
A discussão sobre direitos e igualdade permeia a trama explicitando todo o ódio infundado aos negros com situações capazes de embrulhar o estômago de qualquer pessoa com o mínimo de empatia.


Humanização dos personagens


Algo que me chamou muito a atenção foi a complexidade dos personagens, todos têm várias camadas, momentos de atitudes boas e ruins, assim como na vida real. A diferença é que no mercado literário é comum ver personagens que são totalmente bons ou totalmente ruins, o que me incomoda por ser pouco verossímil.


Em A vida secreta das abelhas podemos identificar como cada um foi criado cuidadosamente para nos despertar interesse, chegando a nos surpreender em vários momentos pela imprevisibilidade de suas personalidades. Isso também se aplica a Lily, que se vê obrigada a crescer em meio a tantas adversidades.

O filme


Uma adaptação justa, a maioria dos atores condiz perfeitamente com os personagens da obra original. No entanto, me incomodou o modo como a densidade de algumas situações foi diminuída, para que o filme ficasse mais apelativo ao grande público.

Essa decisão comercial acabou desvirtuando a história, já que uma de suas características principais é mesclar o peso de alguns momentos com a leveza de outros. Não é um dos piores filmes que já assisti, mas certamente está longe de ser o melhor.